GEORGES MUNIER: DA EUROPA PARA O NORDESTE

Conheça os trabalhos do francês Georges Munier na capital pernambucana

Por Lucas Rigaud e Maria Laura Pires


Georges Henry Munier foi um arquiteto francês que atuou no Brasil, no início do século XX, realizando trabalhos nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Munier também foi professor da Escola de Belas Artes.


Adotando características que variavam do eclético para o neogótico e até o moderno, Munier foi responsável por construções importantes como: A Catedral Metropolitana e o Palácio do Comércio, em Fortaleza; Cineteatro Paz, em Mossoró; Casas Puristas do bairro de Santo Amaro, Santuário de Nossa Senhora de Fátima e a Caixa Cultural, no Recife.


George Munier utilizava dos estilos gótico, semi-gótico, neogótico, neoclássico, purista, cubista e art déco. No período de transição entre o rococó e o neoclássico, era comum usar as cores do estilo deste primeiro estilo, que eram tons de azul e rosa, na talha neoclássica.

Visando as ideias do Purismo e Cubismo e unir ambos os estilos tão distintos, Munier projetou as Casas Puristas do bairro de Santo Amaro, no centro do Recife, em 1932, exaltando as cores rosa, creme e azul claro. Já a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, construída em 1933, com um estilo sacro, também em Recife, é dotada de características do futurismo, com arcos de concreto armado em estilo semi-gótico, além de ter sido o primeiro santuário construído no mundo em homenagem à Virgem de Fátima. No ano passado, a Igreja entrou em processo de tombamento pelo IPHAN, recebendo uma carta de apoio da comissão patrimonial do IAB-PE, ilustrada pelas fotografias de Maria Laura Pires.


Fachadas lateral e posterior da Igreja. Fotos: Maria Laura Pires

Torre da Igreja. Foto: Maria Laura Pires



Uma das obras mais visitadas do Recife, que conta com a assinatura de Georges Munier, é o Edifício Arnaldo Dubeux, localizado em frente a Praça do Marco Zero, que contribui para um dos mais velhos cartões portais da cidade, além de abrigar a Caixa Cultural.


O prédio de característica eclética, de transição para o estilo Neoclássico, foi projetado para abrigar a sede do Bank of London & South America Limite, em 1912. No ano de 1967, foi adquirido pela Bolsa de Valores de Pernambuco e da Paraíba, que funcionou até 2006, quando a Caixa Econômica Federal adquiriu o edifício de Munier para transformar a obra em uma unidade da Caixa Cultural. O prédio foi tombado em 2008.

Fachada frontal. Foto: Lucas Rigaud

Fachada lateral. Foto: Lucas Rigaud

Porta de entrada da Caixa Cultural. Foto: Lucas Rigaud


Georges Munier foi um dos nomes mais importantes da arquitetura que passou pela nossa cidade. Sua contribuição, que inovou ao mesclar estilos artísticos e arquitetônicos, foi fundamental para a criação de obras que enriquecem a paisagem do Recife.


Fontes:

https://viagemsembagagem.com/2015/09/o-antigo-predio-da-bolsa-de-valores-de-pernambuco-um-lugar-que-inspira-arte/

Vestígios da art Déco na Cidade do Recife (1916 – 1967): Abordagem Arqueológica de um Estilo Arquitetônico (Stella Gláucia Alves Barthel)

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