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Prédio da Sudene


Fachada da Sudene. Foto: Maria Laura Pires (2023)

Edifício Sudene

Arquitetos: Pierre Reithler, Ricardo Couceiro, Paulo Roberto de Barros e Maurício do Passo Castro

Paisagismo: Roberto Burle Marx

Ano do Projeto: 1968-74

Localização: Av. Prof. Moraes Rego, Cidade Universitária


O edifício da Sudene é um expoente da arquitetura moderna e resultado do projeto dos arquitetos Pierre Reithler, Ricardo Couceiro, Paulo Roberto de Barros e Maurício do Passo Castro, realizado em 1968, incorporando princípios construtivos e ideológicos do período moderno.


A construção da Sudene reflete o ideário artístico moderno, regional, brasileiro e universal, com emprego de materiais, tecnologias e metodologias projetuais bastante características do período. As particularidades da obra enquanto testemunho histórico, artístico e paisagístico sintetizam um conjunto de técnicas e conhecimentos culturais próprios do modernismo brasileiro. Trata-se de uma importante obra considerada um símbolo cultural enquanto instituição de referência para o desenvolvimento do nordeste, destacada, inclusive, por sua monumentalidade marcante na paisagem urbana da capital pernambucana.


Prédio da Sudene. Foto: Maria Laura Pires (2023)

O edifício-sede da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) foi inaugurado como símbolo do sonho de desenvolvimento e integração da região e também para transmitir a sensação de imponência da economia, fortalecendo a imagem de desenvolvimento do regime militar na época.


O prédio, localizado na Cidade Universitária, foi inaugurado no dia 28 de janeiro de 1974 e foi edificado em um terreno com 68.050,00 m², possuindo uma área construída de 72.704,81 m², distribuída em diversos blocos, sendo um prédio principal, com 13 andares, e quatro anexos que incluem biblioteca, restaurante, conselho deliberativo e serviço médico. A construção envolveu mais de 20 empresas responsáveis pela estrutura, instalações, montagem, acabamento e fiscalização.


Prédio da Sudene. Foto: Maria Laura Pires (2023)

Possui ao todo 269 metros de extensão e foi revestido, nas fachadas norte e sul, com cerâmicas artesanais confeccionadas pelo ilustre artista plástico recifense Francisco Brennand. Outro ponto de destaque na obra, é a presença do jardim externo, projeto realizado pelo ilustre paisagista modernista Roberto Burle Marx. Tais jardins são considerados uma das obras mais notáveis do paisagista por protagonizar, de forma singular, a flora do semiárido nordestino.



Em termos arquitetônicos, foi proposto pelos projetistas que na fachada oeste, que está voltada para o nascente, houvesse o emprego de brise-soleil e esquadrias de vidro. Já para a fachada oeste, que se volta para o poente, foram utilizados elementos pré-moldados de cobogós personalizados. O prédio conta ainda com a inserção de inúmeros peitoris ventilados, a placa do peitoril, que é integrada ao brise-soleil, tem a funcionalidade de permitir a ventilação permanente para os ambientes internos. Nota-se, portanto, que houve um nítido empenho dos arquitetos quanto à aplicabilidade dos princípios mais importantes de adequação climática da obra para a cidade do Recife.


Detalhe fachada da Sudene. Foto: Maria Laura Pires (2023)

Quanto aos materiais e técnicas construtivas, os arquitetos tiraram partido das características estéticas dos materiais como cor, textura, opacidade, luminosidade, adotando-se o concreto aparente nos fechamentos e elementos estruturais do edifício.


É notável também o jogo de alternância de elementos cheios e vazados, combinando as superfícies compactas das paredes, em concreto aparente ou revestidas pelas cerâmicas do artista plástico Francisco Brennand, com as superfícies vazadas dos planos de cobogós e as superfícies envidraçadas com brise-soleil, num arranjo plástico que ajuda a demarcar e destacar as formas volumétricas do edifício. Essa diversificação dos materiais não torna-se excessiva uma vez que todo esse conjunto é responsável por garantir uma unidade estética espetacular à obra.


Destacam-se ainda características e influências notadamente brasileiras, através da monumentalidade e urbanidade que foram exploradas, por exemplo, pela arquitetura nacional no projeto do edifício COPAN em São Paulo.



Detalhe fachada da Sudene. Foto: Maria Laura Pires (2023)

O projeto como um todo simboliza a expressão máxima da arquitetura moderna brasileira, uma expressividade que é derivada do arranjo entre linhas retas e curvilíneas junto a integração arquitetônico-paisagística e de exploração da verdade construtiva dos materiais presentes na obra.


Em suma, o edifício sede da Sudene ressalta o pioneirismo, a adaptação ao meio ambiente local, a racionalidade construtiva e o despojamento compositivo como marcas identitárias da arquitetura moderna pernambucana. Nesta obra, inserida no contexto de amadurecimento e projeção profissional da geração modernista de arquitetos formados em Pernambuco, é notável a aplicação das orientações e das metodologias conceituais e tecnologias projetivas do modernismo tropical e nordestino.


Detalhe fachada da Sudene. Foto: Maria Laura Pires (2023)

Depois de quarenta décadas da sua construção, tanto o prédio como o jardim presente no seu entorno, enfrenta sérios problemas de descaracterização e abandono. O edifício apresenta significativos problemas relacionados a má infra-estrutura, necessitando de uma rápida intervenção que preze pela sua manutenção e preservação como patrimônio remanescente da cidade. Um passo importante foi dado no ano de 2017 quando houve a doação da Sudene para a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que desde então vem realizando vários processos de restauração no edifício. Até esse momento, foi realizado o projeto de restauro de todo o telhado, que já se encontrava em situação crítica, bem como a restauração de boa parte dos seus pilares estruturais.


Foi iniciado também o processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), juntamente com os jardins do paisagista Burle Marx que integra a obra. O tombamento do prédio-sede e dos jardins será realizado junto ao órgão vinculado ao Ministério da Cultura, que é responsável pela preservação de todo acervo patrimonial do país.


A obra da Sudene merece ser preservada como patrimônio devido a sua significância cultural, enquanto exemplar de singularidades e expressividades de nossa cultura arquitetônica, cuja originalidade de soluções se fazem bastante emblemáticas. Como testemunho da memória recente, precisa ser resguardada legalmente para garantir a integridade e a conservação das características do conjunto que permanece autêntico como uma obra nordestina, brasileira e moderna.





Referências Bibliográficas


Site Diário de Pernambuco. Acesso em 30 de maio de 2021. Link «https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2017/12/predio-da-sudene-agora-pertence-a-universidade-federal.html»


DE MENDONÇA BISPO, Alba Nélida. A RECEPÇÃO E A DIFUSÃO DA ARQUITETURA E URBANISMO MODERNOS BRASILEIROS NA PLENA AMPLITUDE DE SUA ABORDAGEM HISTORIOGRAFIA E PRESERVAÇÃO DO MODERNISMO NA OBRA DA SUDENE: ITINERÁRIOS, PRECEITOS, ARGUMENTOS E OUTROS PONTOS NO ROTEIRO.


DA SILVA, Joelmir Marques et al. Exercício de conservação do jardim histórico do conjunto moderno da SUDENE: uma experiência didática no curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco. Paisagem E Ambiente, v. 31, n. 45, p. e165344-e165344, 2020.




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