UM PRÉDIO, DUAS FACHADAS SIMULTÂNEAS

Conheça a história do Edifício Luciano Costa


Edf. Luciano Costa

Projeto de 1915

Intervenção de Delfim Amorim em 1959

R. Dona Maria César, 170 - Bairro do Recife


Quem mora na capital pernambucana, já deve conhecer a curiosa história de como o Ecletismo se chocou com o Modernismo no Edifício Luciano Costa, um dos prédios referência do Bairro do Recife, edifício no formato triangular que ocupa um quarteirão nas Avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco e nas Ruas Dona Maria César e do Bom Jesus.

Edf. Luciano Costa. Foto: Lucas Rigaud


A edificação, que atualmente abriga empresas, serviços e restaurantes, é considerada a única do Recife a ter possuído duas fachadas simultâneas, sendo a primeira, original, datada do ano de 1915, no estilo eclético, e a segunda, da qual iremos detalhar abaixo, que é fruto do modernismo, em 1959.


Assinada pelo arquiteto português Delfim Amorim (1917-1972), cujo as obras modernas se destacam em vários cantos do Recife, a segunda fachada do Luciano Costa consistiu numa intervenção, que foi principalmente caracterizada pela cobertura do edifício eclético da década de 10, preservando-o para futuras restaurações e, assim, atribuindo a edificação uma malha de concreto, vigas e cobogós.

Fonte: Luiz do Eirado Amorim


O edifício eclético, onde hoje se encontra o Luciano Costa, surgiu no bojo de um dos planos de reforma urbana no Recife, no início do século XX. Dentro desse escopo, fizeram parte o Plano de Saneamento da cidade (1909-1915), do engenheiro Saturnino de Brito, e o Novo Projeto de Melhoramento do Porto (1909-1915), que, além dos serviços portuários, também foi responsável pela grande reforma do Bairro do Recife, que todos os cidadãos chamam carinhosamente de “Recife Antigo”. A partir dessa requalificação do bairro, muitos sobrados e residências do período colonial deram lugar a edifícios ecléticos.


De acordo com o Guia Turístico do Recife de 1935, o edifício eclético, antes da intervenção moderna, ocupou o Banco Agrícola e Comercial de Pernambuco. Até a década de 50, o prédio estava em más condições e vários operários foram contratos para a reforma da obra. Naquela época, os proprietários do edifício – entre eles, o comerciante Luciano Costa Júnior – desejaram transformar a edificação em uma moderna construção para abrigar escritórios, mas com o intuito de preservar seu estilo original para obras futuras.


O novo projeto do edifício foi concluído por Delfim Amorim em 18 de dezembro de 1959, sendo aprovado pela Prefeitura do Recife em 26 de janeiro de 1960. No desenho de Delfim, foram mantidos elementos da construção original, como a tão famosa fechada, que ficou coberta por cobogós conhecidos como “véu de noiva”.


Na década de 1990, a revalorização do Bairro do Recife e o tombamento do perímetro onde o edifício se localiza pelo IPHAN, em 1997, fez com que os proprietários do Luciano Costa resolvessem devolver a antiga fachada. Após uma série de burocracias, com órgãos a favor da manutenção da fachada moderna de Delfim Amorim, o “véu da noiva” foi retirado no ano de 2006, exibindo a arquitetura eclética da histórica edificação para a cidade.


Fontes: Oxe Recife

ArquiTextos 005.09 – Edifício Luciano Costa (Luiz Manuel do Eirado Amorim)

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